Tootsie
Se eu tivesse uma moeda pra cada vez que eu vou ver um filme dos anos '70/'80 pensando "ah, vai ser ok" e acabo amando, eu teria moedas demais pra contar. Que delícia de filme com uma análise tão boa sobre "masculinidade", "feminilidade", gênero como performance e até um pouco de sexualidade. Tudo centrado numa maravilhosa e carismática Dorothy do Dustin Hoffman, sem a qual o filme ruiria. Jessica Lange também tem boa dramaticidade, mas não diria que precisavam ter entregue o Oscar pra ela. Genuinamente impressionante que um filme dos anos '80 tenha conseguido fugir de piadas baratas sobre um homem vivendo como mulher. Claro, os shenanigans do tipo acontecem, mas nunca aparentam como algo feito para um tiozão dizer "hahahahahaha meu deus que engraçado esse cara quer beijar um homem e acha que é uma mulher hahahaha auge do humor", é sempre um dispositivo dramático para mostrar o Michael cada vez mais enrolado na própria teia. Idem sobre o filme não ter uma moral conservadora envernizada de progressista, algo em que o filme já demonstra não ter interesse no momento em que a Dorothy pisa no estúdio pro teste do papel. Great stuff.