Blow-Up
vi muitas pessoas dizendo que precisaram assistir mais de uma vez para gostarem desse filme, isso é a exemplificação de como cada experiência é única, pois já na primeira vez que vi esse filme me encantei imediatamente, a fotografia, os diálogos, as atuações… tudo nesse filme me encanta
ele pode parecer monótono e chato para algumas pessoas, mas eu particularmente não consegui tirar o olho por um segundo da tela enquanto assistia. vi que nas sinopses de todos lugares estava destacando um tal assassinato no filme, isso me fez ter mais vontade ainda de assistir, mas o filme é tão vinculante, que quando me conectei com a história, havia esquecido completamente que o tal assassinato aconteceria no filme, e quando aconteceu, foi como um extra, que se fosse importante para mim antes de ver o filme, agora não era nada comparado a toda a história
é um estilo voyeurístico muito estilo hitchcock e brian de palma (e por de palma vir depois, imagino que ele tenha se inspirado muito em Blow Up, ainda mais pelo o Blow Out). toda a estética desse filme me agrada, e mesmo tendo apenas alguns aspectos, considero muito esse filme como um Noir
Blow Up exala tesao e é sexy de um jeito tão sofisticado, a arte nesse filme é evidenciada de várias formas de um jeito muito profundo, seja pela fotografia, seja pelas modelos, seja pelos mímicos que andam amontoados em um carro, ou seja pelo amigo de thomas que é pintor
como já havia falado acima, Blow Up não é sobre assassinato, mas sobre a incerteza da realidade e os limites da percepção, e a fotografia ser utilizada de chave para isso foi extremamente preciso
thomas é cercado por uma vida superficial no ramo da arte, seja por festas, modelos, sexo casual, mas ele parece completamente desligado emocionalmente, e ao se deparar com algo real e profundo como um assassinato, decide investigar mais a fundo sobre aquilo, mas literalmente tudo escapa, as provas somem, o próprio corpo some, evidenciando o vazio existencial da modernidade, onde naquele final incrível em que os mímicos jogam tênis com raquetes e uma bola invisível, faz destaque ao tema central do filme, a arte, e como ela pode ser tão profunda, mas também tão rasa
o filme evidencia de forma minuciosa perguntas como “o que é real?” e “o que é verdade?”, trazendo o artifício da arte e da fotografia de forma exata e perfeita, já que thomas depende das imagens… as fotos que ele tira capturam a verdade, ou uma versão manipulável delas?
a cena do show de rock é muito interessante, por que ele parece brigar pelo pedaço de guitarra como se realmente quisesse aquilo, mas ele só quer pelo fato de todos ao redor dele também quererem, já na rua, onde ninguém mais da valor aquele pedaço de guitarra, ele simplesmente descarta como se há 2 minutos atrás não estivesse correndo e segurando aquilo como se fosse um pedaço de ouro
e novamente sobre o final, ele destaca tudo sobre o filme… nossa realidade é muito influenciada pelo que escolhemos acreditar
“Estou trabalhando, alguns são toureiros, outros políticos… Eu sou um fotógrafo.”