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de agosto de 2023 até junho de 2024, eu participei da montagem de uma peça, Vem buscar-me que ainda sou teu.
a peça é uma tragicomédia, texto de Carlos Alberto Soffredini, que acompanha uma companhia de circo dentro e fora dos palcos, retratando a realidade do artista brasileiro tanto no seu pior como nas ênfases constantes dos motivos que fazem tudo aquilo valer a pena.
praticamente cada ator tinha duas pessoas pra interpretar, o seu personagem dentro de cena e fora. no palco italiano (parte de cima), aconteciam as cenas ambientadas no camarim, e no chão (parte de baixo), aconteciam as cenas ambientadas no palco. a peça trabalhava muito com quebras e erros intencionais, o que nos ajudava muito olhando pelo lado de que qualquer coisa que desse errado, era só pensar rápido que ninguém perceberia que não era intencional, mas também foi muito difícil no começo, quando a gente se perdia na realidade x teatro. eu nunca me esqueço dos “jogos de cena” que nós montávamos no começo, e eu me perdia muito no que era personagem e o que era quebra, o documentário me lembrou muito muito muito disso.
no fundo, essa é a representação da arte na sua forma mais crua, quando a gente perde ela na realidade facilmente.
por conflitos de agenda, acabamos tendo por volta de 3 meses para montar uma peça de 1h40. a primeira sessão foi um desastre, eu inclusive, logo na primeira saída de cena, consegui chutar um saxofone sem querer 😺. a segunda foi maravilhosa, eu nunca me esqueço. atuar é isso, aprender é isso, viver é isso: a gente vai entendendo
um dos maiores ensinamentos que o teatro trouxe para a minha vida foi aprender a ler através das coisas. dos meus personagens, dos outros personagens, das outras pessoas e de mim mesma.
o documentário me fez refletir muito sobre a relação do teatro e cinema. mês passado, eu me despedi oficialmente do teatro depois de 3 anos. finalizar o curso foi um processo muito doido já que eu achava que provavelmente nunca mais iria poder trabalhar nos palcos de novo. como vou finalizar o ensino médio agora, vou aproveitar para focar no audiovisual esse ano, já que meu foco é cursar cinema na faculdade, e não vai sobrar mais tempo para o teatro.
eu sempre amei estabelecer essas relações entre o teatro e o cinema, mesclar tudo. logo no início da montagem (de Vem Buscar-me) já corri de volta para o meu filme favorito, Singing in the Rain, e inspirei meu personagem, o Brilhantina, fortemente no personagem de Donald O'Connor, Cosmo. a comicidade e teatralidade GENIAL apresentada pelo ator me salvaram muito em momentos de muito medo interpretando pela primeira um alívio cômico.
eu achava que era mais difícil fazer esse tipo de conexão no cinema (trazer o teatro para a tela), mas depois desse filme, percebi que no fundo, não é tão complicado.
não existe lei nas artes, já dizia Tim Bernardes: "eu misturo o que eu quero com mais tudo que eu quiser".
que o amor pelas artes, o teatro, o cinema, a atuação e a contação de histórias nunca morra no coração de ninguém que um dia já tenha se apaixonado por isso.