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Aqui vai um grande dilema, a quem fica a responsabilidade de decidir o destino de uma pessoa que toma atitudes tão cruéis quanto um assassino de crianças? Gostei muito da forma como o debate cada vez mais se afunila, chegando à um literal julgamento dos criminosos sobre o "Monstro". Além de todas as dificuldades de evitar uma patologização extrema das crueldades, o filme se direciona para uma compreensão mais ampla do assunto, onde ambas as partes possuem seus pontos sejam por marcos legais ou emocionais.
No fim das contas não existe uma separação completa entre as duas coisas e o final se mostra duro sobre todo o debate: nada do que pode ser feito consegue reverter o que é uma das maiores dores possíveis representado na morte de uma criança e segundo que somente pela mobilização social de todos é que esses fenômenos podem ser contornados. Isso é notório, pois apenas com a sequência de assassinatos é que se forma um coesão entre o Estado e pessoas a margem da sociedade e da lei.
Lang por vir de um cinema ainda recluso tecnologicamente ao uso do som, entende muito bem as potências que este pode ter, ressaltando ainda mais a sua falta ao decorrer da obra. Um grande êxito em transparecer todas essas emoções vão dos closes nos rostos vindas do movimento expressionista, além de cenas mais amplas com uma movimentação que traz mobilidade ao mesmo tempo que apresenta todo esse cenário noir.