Elite Squad
considerando a habilidade de interpretação do brasileiro médio, não é de se espantar que levaram esse filme como uma forma de endeusamento à forma como a polícia age no brasil.
um filme muito complexo e completo sobre a violência no brasil, mostrando três grandes aspectos dela: a violência policial; a violência criminal; e o discurso relativista quanto a forma de atuação de ambas as partes, o que justamente critica a visão que muitas pessoas tiveram desse filme.
o filme mantém uma forte relação com o filósofo michel foucault, concordando com algumas questões, como a da repressão por meio do aparelho estatal, representado no filme pelo bope, mas mantém um tom crítico, por exemplo, à relativização do crime praticado por um indivíduo, questão que concordo com a posição adotada pelo diretor: querendo ou não, somos responsáveis por nossas ações.
uma grande crítica também é feita à polêmica classe acadêmica, um pouco generalizada, mas mostrando as principais vicissitudes de seu pensamento, que mantém os olhos fechados pra violência praticada no meio do tráfico de drogas e no controle dos morros.
a crítica à forma desumana que a polícia militar age é clara, embora muitos não tenham entendido por falta de interpretação. a forma como os agentes do bope tratam pessoas que muito bem poderiam ser apenas passantes é uma prova disso, além de mostrar como o estresse de seu ambiente laboral acaba aumentando sua violência, até mesmo em seus relacionamentos pessoais.
um filme inteligente, uma sacada de mestre. mal posso esperar para ver o segundo.