Barry Lyndon
Esse filme é uma experiência divina.
Barry Lyndon traz consigo tudo que um filme de coming of age pode trazer, mas o faz de metamorficamente. O que quero dizer com isso é que Redmond Barry perde seu calor junto com sua identidade. Uma vez que ele se torna Barry Lyndon, sua humanidade fica atrelada à figura do seu filho. Além disso, ele está inserido em uma cultura em que a etiqueta é o principal estigma, fazendo tudo parecer extremamente formal.
O longa analisa essa falta de humanidade de forma muito inteligente, pois coloca seus personagens em situações em que o racional pararia de agir. Cada persona dentro do Palácio Lyndon irá reagir de formas diferentes, mesmo tentando agir uniformemente. O voice over, inclusive, é utilizado com perfeição, justamente para estabelecer estes sentimentos. É uma exposição necessária. O filme se desdobra como um livro narrado em terceira pessoa.
Kubrick dá uma aula de fotografia. A frase que "cada plano parece uma pintura" é sim hiper utilizada, mas aqui é uma verdade. Cada plano, cada movimento de câmera, cada zoom, parece uma pintura a óleo. O fato de que o filme é feito inteiramente de forma prática me encanta profundamente. O diretor brinca com o zoom para mostrar a magnitude e riqueza da geografia, quando utiliza o zoom out; e, com o zoom in, para estabelecer um conflito emocional, que a cultura da etiqueta não permite mostrar fisicamente.
Uma profunda análise de personagem, uma profunda experimentação da linguagem cinematográfica.