Oldboy
Park Chan-wook me presenteia com um dos filmes mais doentios que eu já assisti. Essa frase parece agridoce, mas as razões pelo qual esse filme é doentio não faz dele inconsumível. Ao contrário de vários filmes que tem enredos sombrios por puro fetiche no absurdo, Oldboy subverte essa trend, e se enquadra em um subgênero de caricatura muito interessante. Oldboy está mais para Fight Club e Kill Bill, que para Incendies, que choca com o absurdo no propósito de fazer uma crítica; e principalmente um filme como aqueles no fundo do Iceberg de filmes de terror, que chocam apenas por fetiche.
Oldboy é uma outra dimensão, onde regras e convenções sociais são levados ao extremo, bem como a consequência da quebra dessas regras, e por isso funciona tão bem. Esse filme não funcionaria tanto se fosse apenas uma história convencional de vingança, em que há uma perseguição, valores estabelecidos - herói x vilão, mocinho x malvado, bem x mal... Oldboy anarquiza esses valores, fazendo Dae-su parecer um animal durante todo o filme. Quando há uma esperança para ele, a realidade do que lhe ocorreu leva ele de volta para a bestialidade. Bestialidade essa que alcança todos que cruzam seu caminho durante sua sede de vingança. Lee Woo-jin não é aquele vilão convencional de histórias de vingança. Tudo que ele faz é por uma razão. No fim das contas, quem é a maior besta: o mocinho ou o vilão?