The Master
Paul Thomas Anderson é simplesmente incapaz de fazer um filme ruim!!! (Os haters de punch drunk love calem a boca.)
The Master é um filme que implora pra ser analisado. Direção fantástica, atuações memoráveis, especialmente do lendário PSH, personagem que dá título ao filme, talvez melhor da carreira dele. Amy Adams tbm tá perfeita no papel e o Joaquin Phoenix consegue capturar extraordianiaramente seu personagem volátil e traumatizado pela guerra.
A minha análise sem spoilers foi basicamente essa, a partir daqui vou mencionar algumas cenas, etc, mais pra um geralzão do filme a partir da minha visão. Então, fica o aviso.
O protagonista, Freddie Quell, é perfeitamente concebido pelo Joaquin Phoenix. É um homem que sofre vários traumas da guerra mundial, desenvolvendo um vício em álcool e em mulheres, que são "os mestres" da vida dele. Então, de repente, ele encontra A Causa, uma seita que se diz conseguir "adestrar" a mente humana. O filme faz um contraste perfeito entre os impulsos hedonistas de Freddie com as tentativas de controle feitas pelo Mestre, Lancaster Dodd.
A partir desse "embate", surge uma inesperada amizade entre Freddie e Lancaster. Lancaster vê em Quell seu maior desafio, um animal a ser domado, enquanto o outro vê em Lancaster uma oportunidade de buscar sentido em sua vida. Agora, fiquei me perguntando se Lancaster realmente acreditava na sua própria seita ou era apenas um charlatão, mas, a partir do que entendi do filme, ele acreditava que conseguia controlar a mente humana, sendo um líder de culto bem fora do convencional para filmes.
Mas, no fim, Lancaster perde a batalha pro Freddie, que decide fugir da seita e viver sua vida em seus próprios termos. No confronto final entre os dois, Dodd fala a frase que talvez resume os temas do filme:
If you figure a way to live without serving a master, any master, then let the rest of us know, will you? For you'd be the first person in the history of the world.
O "mestre" é aquele algo que dá sentido pra sua vida. O "mestre" não precisa ser uma pessoa. Até mesmo o próprio Mestre, possui algum "mestre" na sua vida. Nesse caso, o papel cai a sua esposa, Peggy, como exemplificado na cena mais ousada do filme (quem assistiu sabe qual cena é essa). Normalmente, essa cena poderia parecer uma erotização desnecessária, soa até meio forçada no papel. Mas, a direção de Paul Thomas Anderson faz ela se encaixar perfeitamente no enredo, sem dar o foco necessariamente para o ato sexual, mas sim para os diálogos entre os dois, dando uma perspectiva diferente para a dinâmica entre os personagens.
No entanto, no fim, Freddie nega esse destino de ter um "mestre", decidindo viver nos seus próprios termos. Será que ele realmente conseguiu ser seu próprio mestre ou caiu de volta no seu mestre antigo, o vício em álcool e em sexo? Será que é o destino de Freddie estar preso com diferentes tipos de mestres na sua vida, (sua tia, a Doris, o marinha, o vício, o Lancaster)? O final não explicita nada, mas não tenho nenhum problema com essa ambiguidade.
Esse filme explicita um laço em comum entre os diferentes filmes do PTA. São todos sobre homens solitários tentando buscar sentido na vida. Nessa jornada, Daniel Plainview acaba sendo dominado pela ganância, Barry Egan encontra no amor o sentido da sua vida e Freddie Quell tenta rejeitar o seu "mestre", seu sentido de vida, e se dá certo? Ninguém sabe. O único filme que não percebi esse tema é o Uma Batalha Após Outra, talvez seja por isso que eu o achei o mais fraquinho do diretor (mesmo assim, ainda é um filme muito bom).
Essa review foi longa, repeti mestre tantas vezes nela kkkkkkkk. Ia dar 9/10 antes de escrevê-la, mas percebi quão genial esse filme, merece a nota máxima. Não é tão grandioso quanto There Will Be Blood, mas é tão rico tematicamente que seria um crime se eu não desse 10/10. Talvez eu, num outro dia, escreva reviews assim pros outros filmes do PTA, eles merecem.