Citizen Kane
"um hino à juventude e uma meditação sobre a velhice, um ensaio sobre a vaidade e um poema sobre a decrepitude"
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- François Truffaut
Orson Welles conta a história de Charles Foster Kane através de flashbacks, trabalhando com uma fotografia inovadora que exigiu uma drástica mudança da iluminação dos cenários e uma montagem com muito efeito de câmera, mas que eram desconhecidos ou pouquíssimos usados na época. Welles entregou um filme que, se deixou de ser reconhecido em sua época, hoje é um daqueles que estão no templo das grandes obras do Cinema.
Welles utiliza de forma brilhante a profundidade de campo, permitindo com que um, dois ou mais elementos do mesmo plano tenham total foco. Mesmo que já existisse e já tivesse sido usada antes, em Cidadão Kane a técnica toma proporções maiores e inimagináveis considerando a época.
No cinema, Manter o primeiro elemento de um plano em foco e o segundo fora de foco ou vice-versa é sempre uma escolha do diretor sobre o que ele quer passar e o que realmente importa naquele momento. Porém, em Cidadão Kane, ao manter tudo em foco, o espectador não precisa olhar para um único lugar especifico. Reparem no primeiro flashback, que não segue o ponto de vista de uma pessoa, mas sim a leitura do diário do tutor de Kane desde sua infância, pelo repórter. Em determinado momento, a mãe de Kane assina o documento que transfere o poder de seu filho. Sabemos que o documento é ponto foco não só pela sua importância, mas pelos olhares de Mary, Thompson e do pai Jim, mas a sequência é também enquadrada de forma tal a ter o pequeno Charles brincando ao fundo, na neve, perfeitamente em foco.
O foco profundo, porém, na medida em que o filme avança, ganha dimensões grandiosas, funcionando para aproximar e afastar personagens, no Contra-plongée para agigantar e no plongée para apequenar pessoas e ambientes e, talvez acima de tudo, evidenciar o isolamento de Charles Foster Kane do mundo.
A forma como o tempo avança é crucial na história do filme, que se passa durante 70 anos. Sem uma montagem cuidadosa, a história poderia ter ficado arrastada e cansativa, mas o tempo passa de forma contínua.
Cidadão Kane é o olimpo da sétima arte; sublime em todos os sentidos da palavra e digno de eterna reverência.
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