Opera
*O que imediatamente distingue Terror na Ópera de outras realizações de Argento é a urgência com que os enquadramentos, os planos e os movimentos de câmera nos são apresentados. A câmera corre, espia, procura, tropeça, trafega e embrenha-se o tempo inteiro em apartamentos, corredores, estúdios, cabines telefônicas e, obviamente, no teatro Regio, a casa de ópera onde boa parte do filme se passa.*
Há uma deslumbrante inventividade formal em Opera que se expressa com clareza na mise-en-scène de Dario Argento. Se dois anos antes com Phenomena, o diretor já explorava pontos de vista de forma brilhante, aqui ele eleva essa noção extrapolando ainda mais as possibilidades da câmera subjetiva e transformando o olhar em elemento fundamental da experiência.
Uma encenação que não se limita a narrar, mas constrói um jogo constante entre ver e ser visto, colocando o espectador em uma posição instável, tornando-o cúmplice da violência a partir do ponto de vista do assassino. A câmera está sempre circulando, invadindo espaços, aproximando-se dos corpos com intensidade e, nesse movimento, o filme se torna uma experiência sensorial, onde a forma não apenas acompanha a história, mas a redefine a cada plano.
Só fico imaginando como deve ser bom assistir esse filme no cinema.
#dario argento#itália#década de 80