Ugetsu
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Um dos mais belos filmes do mundo foi realizado por um velho metteur en scène japonês, autor de quase uma centena de filmes, feitos sem dúvida com nenhum outro desejo senão o de exercer bem o seu trabalho. Após cinco minutos de projeção, Contos da Lua Vaga fazem compreender claramente o que é a mise en scène - ao menos para alguns: um meio de prolongar os elãs da alma nos movimentos dos corpos. Ela é um canto, um ritmo, uma dança. Mizoguchi sabe que aquilo que se exprime pela violência corporal é algo com o qual não se pode mentir: não o caráter, não a compreensão de si, mas este irresistível movimento adiante que prossegue sempre nos mesmos caminhos em busca da plenitude - ou da destruição. Imagino que o interesse dele - após tantos filmes - já não está nesse espetáculo, mas no fato de não conseguir desviar os olhos do mesmo: um autor escreve talvez para libertar-se; para um cineasta, nunca é assim. Na ternura ou no horror do universo que ele explora, ele deverá encontrar aquilo a que chama-se uma certa complacência ou uma cumplicidade, mas que para o artista não é nada senão a fonte da grandeza que o obceca e que ele acredita poder revelar.*](https://share.google/6RAGVHx21pgmhieg3)
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