Phantom Thread
Acho que eu nunca vi um filme que traz uma relação tão bem feita entre o amor e a arte, a dedicação a duas paixões nada distintas, mas controversas entre si.
A forma como é construída a admiração de Alma sob Reynolds, a forma como ela está sempre ali, não apenas para ser amada ou ter o amor dele, mas como admira a forma que aquele homem vive pelo luxo, por seu trabalho. Ela se sente absorta dentro daquele mundo intenso da perfeição que seu amado constrói em sua nova vida, como converte seus valores para se encaixar na mente de uma pessoa tão certeira.
Mas ela não se rebaixa, Alma se coloca dentro da cabeça de Reynolds para que ele saiba como aproveitar aqueles que o almejam, que desejam ser aquilo que ele tanto aprecia como se fosse uma faísca de chama dentro de um quarto de palha seca. Seu conforto dentro das coisas que ele molda para se esconder acaba de forma brusca, apesar de Alma se fazer presente para realizar isso com amor.
A idealização de uma vida perspicaz em cima de abandonos do tempo se torna uma pedra no caminho, e é por isso que essa obra traz o sentimento da paixão de formas tão diversas, tornando-as uma só no final, que dessa vez, não é a sensação de realização, mas a quebra da realidade dentro das vontades de um, que não satisfaz aquilo que os astros ao seu redor precisam para que todo esse sistema funcione.
Sobre a fotografia, PTA trabalha de forma estupidamente linda todos os elementos, ele consegue trazer minuciosamente os sentimentos de Reymonds nos vestidos e nos cenários, ele traz personagens melancólicos o suficiente para fazer da trama minimamente misteriosa e traz o tempo ideal que um filme precisa para ser a obra mais bela já vista antes. Assisti esse filme logo após ver Magnólia e sinto que a diferença de esforço numa obra é gigantesca, PTA é bem visível quando quer que seu trabalho seja visto, e é por isso que esse é um dos melhores filmes que eu vi esse ano, meu novo favorito do facistinha