Fallen Angels
"A estrada não era longa, e eu sabia que logo iria descer, mas naquele momento senti um calor adorável"Fallen Angels não é apenas o meu filme favorito, mas também é o meu filme de romance favorito. Evidentemente ele não retrata as relações amorosas de uma forma convencional, e é justamente isso que o torna tão especial: não é um filme de amor, mas um filme sobre o amor. Wong Kar-Wai foi genial em transmitir artisticamente aquilo que Marx e Engels expressaram no Manifesto Comunista ao afirmar que "tudo o que é sólido desmancha no ar", o mesmo que Bauman posteriormente se refere ao falar a respeito da liquidez moderna, e que tantos outros discorreram sobre.
A modernidade é fundamentalmente instável, a única constante é a inconstância, ela condena todos os indivíduos a um perpétuo estado de "vir-a-ser" onde as coisas sempre se transformam e nunca atingem uma forma definitiva. Viver a vida moderna é sentir a angústia de não ter algo fixo para se apoiar, é viver em um mundo no qual tudo carrega uma data curta de validade e inevitavelmente vai chegar a um fim. A beleza de Fallen Angels é a capacidade de expressar essa noção através da linguagem cinematográfica que, somada a ambientação insanamente linda e a trilha sonora incrível, proporciona uma experiência sensorial única.
O filme demonstra justamente como as relações amorosas se desenrolam nesse contexto, todos os personagens anseiam desesperadamente por conexão, ao mesmo tempo em que estão completamente cientes da efemeridade que ela carrega, tudo o que os resta é aproveitar enquanto o inevitável não ocorre.
O gênero "lonely people in neon cities" sempre vai ser um dos meus favoritos, eu poderia falar mais um milhão de coisas, mas não quero escrever uma dissertação aqui :((
#cinematography ₊˚✩#2025