Frankenstein
É, como todos já sabíamos que seria, uma maravilha técnica. Design de produção, fotografia, trilha sonora, figurinos, atuações... Só a maquiagem que deixa um teco a desejar, dava pra ter maneirado no azulado da criatura. Felizmente, dá pra ignorar isso graças a toda a empatia e simpatia que criamos pelo monstro do Jacob Elordi, cuja performance, apesar de não ser tudo aquilo que estão falando, consegue ser primitiva, assustadora e, acima de tudo, delicada, tudo de acordo com o que devemos sentir. O comentário daquele jornalista que criticou a abordagem subjetiva da criatura deveria ser o suficiente para desbancar o mito de que críticos de cinema são melhores espectadores do que outras pessoas, porque é impossível de assistir a essa adaptação sem notar que toda a alma e intencionalidade estão direcionadas a esse estudo do monstro como um ser humano incompleto (assim como todos os outros seres humanos). Gostei das pinceladas psicanalíticas aqui e ali, mas, às vezes, na tentativa de poetizar o roteiro e drive the point home, as personagens falam de maneira exageradamente rebuscada e literária, gerando um pouco de estranhamento - sentimento que vem brutalmente à tona na última cena da Mia Goth. Achei que a transição entre a parte II do filme e a conclusão foi acelerada demais, e a costura entre a parte I e a parte II foi conveniente à beça - ainda bem que o conto da criatura é a parte mais bonita e interessante do filme, senão teríamos um grande problema. Belíssima adaptação no todo, devidamente inspirada pelos ultrarromânticos (amei o easter egg de Ozymandias, poema do marido da Mary Shelley).
#cinema com noca