Por trás de toda essa estética de romance adolescente gótico e brega existe uma crítica surpreendentemente interessante sobre famílias controladoras e herança emocional juntamente com ciclos disfuncionais.
Fui assistir ao filme sem saber absolutamente nada sobre o enredo e acabei me surpreendendo positivamente com várias de suas peculiaridades, o longa consegue subverter muitos dos clichês mais comuns desses romances adolescentes justamente por utilizar essa estrutura como ferramenta para desenvolver uma protagonista que se sente constantemente reprimida, sem autonomia nenhuma e praticamente aprisionada pela própria família
O que mais me chamou atenção foi como até os elementos aparentemente “sem importância” dialogam diretamente com os temas centrais, essa constante presença da Guerra Civil por exemplo, não é apenas uma ambientação sulista padrão, mas uma extensão da própria discussão sobre tradição, segregação e heranças ideológicas, existe uma dualidade muito interessante entre a cidade e a família de Lena, se por um lado os habitantes renegam os Ravenwood por superstição e medo, a própria família também se distancia da cidade através de uma sensação de superioridade construída pela magia, vista quase como um privilégio hereditário reservado apenas àquela linhagem
E é justamente aí que o filme encontra uma resposta bela sobre essa temática, a ideia de que o amor vindo “de fora” é capaz de romper ciclos que pareciam inevitáveis, Ethan funciona como alguém que oferece a Lena a possibilidade de existir além do peso de sua herança familiar, ela consegue se sentir real com ele e não apenas como fruto de disputa ideológica da sua família, o filme deixa isso muito claro ao afirmar que ela não é a mãe dela, e essa talvez seja a principal mensagem da obra mesmo, você sempre pode quebrar um ciclo iniciado antes mesmo do seu nascimento
E essa sensação constante de que a família representa uma prisão psicológica para Lena toma conta por quase toda a obra, tudo ao seu redor retorna às expectativas familiares, ao destino imposto e à submissão que marcou os outros membros daquela mesma família, e justamente por sua personalidade entrar em conflito com esse conformismo que ela se torna uma personagem muito mais interessante do que o arquétipo comum da “garota sobrenatural misteriosa”
Outra coisa que me agradou bastante foi como o filme abraça sem vergonha um certo tom “trash” em sua direção, muitos dos efeitos visuais são claramente exagerados e até bregas mas isso acaba funcionando como parte da identidade estética da obra, existe criatividade ali, mesmo sem um orçamento gigantesco a produção consegue construir uma atmosfera própria e estilizada, algo que falta em muitos blockbusters mais caros e bem menos autorais
Por fim, o filme acabou sendo uma obra muito mais sólida e interessante do que aparenta à primeira vista, um romance sobrenatural adolescente que por baixo de toda a fantasia gótica esconde discussões genuinamente interessantes sobre identidade, liberdade emocional e a dificuldade de escapar das estruturas familiares que tentam definir quem somos.
Por trás de toda essa estética de romance adolescente gótico e brega existe uma crítica surpreendentemente interessante sobre famílias controladoras e herança emocional juntamente com ciclos disfuncionais.
Fui assistir ao filme sem saber absolutamente nada sobre o enredo e acabei me surpreendendo positivamente com várias de suas peculiaridades, o longa consegue subverter muitos dos clichês mais comuns desses romances adolescentes justamente por utilizar essa estrutura como ferramenta para desenvolver uma protagonista que se sente constantemente reprimida, sem autonomia nenhuma e praticamente aprisionada pela própria família
O que mais me chamou atenção foi como até os elementos aparentemente “sem importância” dialogam diretamente com os temas centrais, essa constante presença da Guerra Civil por exemplo, não é apenas uma ambientação sulista padrão, mas uma extensão da própria discussão sobre tradição, segregação e heranças ideológicas, existe uma dualidade muito interessante entre a cidade e a família de Lena, se por um lado os habitantes renegam os Ravenwood por superstição e medo, a própria família também se distancia da cidade através de uma sensação de superioridade construída pela magia, vista quase como um privilégio hereditário reservado apenas àquela linhagem
E é justamente aí que o filme encontra uma resposta bela sobre essa temática, a ideia de que o amor vindo “de fora” é capaz de romper ciclos que pareciam inevitáveis, Ethan funciona como alguém que oferece a Lena a possibilidade de existir além do peso de sua herança familiar, ela consegue se sentir real com ele e não apenas como fruto de disputa ideológica da sua família, o filme deixa isso muito claro ao afirmar que ela não é a mãe dela, e essa talvez seja a principal mensagem da obra mesmo, você sempre pode quebrar um ciclo iniciado antes mesmo do seu nascimento
E essa sensação constante de que a família representa uma prisão psicológica para Lena toma conta por quase toda a obra, tudo ao seu redor retorna às expectativas familiares, ao destino imposto e à submissão que marcou os outros membros daquela mesma família, e justamente por sua personalidade entrar em conflito com esse conformismo que ela se torna uma personagem muito mais interessante do que o arquétipo comum da “garota sobrenatural misteriosa”
Outra coisa que me agradou bastante foi como o filme abraça sem vergonha um certo tom “trash” em sua direção, muitos dos efeitos visuais são claramente exagerados e até bregas mas isso acaba funcionando como parte da identidade estética da obra, existe criatividade ali, mesmo sem um orçamento gigantesco a produção consegue construir uma atmosfera própria e estilizada, algo que falta em muitos blockbusters mais caros e bem menos autorais
Por fim, o filme acabou sendo uma obra muito mais sólida e interessante do que aparenta à primeira vista, um romance sobrenatural adolescente que por baixo de toda a fantasia gótica esconde discussões genuinamente interessantes sobre identidade, liberdade emocional e a dificuldade de escapar das estruturas familiares que tentam definir quem somos.