Um relato disfarçado de documentário sobre o aborrecimento infantil e saudosista do autor (e algumas poucas homenagens a Recife)
Eu queria muito ter gostado mais dessa obra, meu primeiro contato com o cinema do Kleber foi pelo curta metragem ''Vinil Verde'' de 2004 (e que na época frequentando o curso de cinema da minha cidade eu havia esquecido de logar aqui no aplicativo), e sinceramente, que visão deprimente acerca do que ele pretendia retratar aqui (se refletindo principalmente pela sua forma de narração, totalmente apática beirando uma leitura robótica sobre tudo que o cerca), nós temos várias colagens de diferentes épocas, períodos distintos entre si e que significavam algo para o diretor, inclusive com o seu primeiro ato tendo um apreço maior nessa forma incomum de produzir um documentário, e mesmo assim, mesmo gostando de vários momentos e entendendo a importância do local e das figuras para o autor, só senti que foram momentos tão autobiográficos (e um excesso de auto referências pouco importantes), o momento mais íntimo do diretor é justamente o mais desinteressante, mesmo entendendo a importância disso e como isso moldou sua vida para o que veríamos a seguir, não é um foco que o telespectador (pelo menos no meu caso) buscava no momento, e quando passei a gostar mais da obra se tornou justamente no momento do 2º ato em diante, com um aprofundamento maior nos dois principais cinemas da região e de como cada um deles impactaram diretamente na vida do Kleber, mas no fim tudo acaba sem dizer muito, dando a entender uma insatisfação absurda do diretor em relação ao presente e o quanto romantiza seu saudosismo, eu gostaria de ter conhecido mais do município, e principalmente, gostaria que tivesse havido um equilíbrio real em relação a narração, ela se torna tão incômoda em determinados momentos que eu simplesmente só queria falar para o Kleber ''eu já entendi meu amigo, me deixe apreciar um pouco dos momentos'', o silêncio ou sons ambientes dizem tanto quanto uma narração expositiva, e isso deveria ser algo que o autor tivesse plena consciência, o excesso de narrações dá a entender que ele estava desesperado para que tivéssemos uma opinião/visão semelhante a dele sobre tudo que é mostrado (e isso por si só se torna um problema), tanto que, os momentos em que mais me conectei na obra foram justamente em momentos mais contemplativos no cachorro Nico, e da rotina do Seu Alexandre sendo mostrada no cinema São Luiz, momentos que são abruptamente interrompidos para novas narrações do Kleber (feitas a exaustão), enfim, mesmo não gostando como a maioria eu sinto um brilho aqui, há um certo carinho em como são retratados os cinemas de rua, mesmo que da mesma forma haja um leve desprezo pela situação moderna da região em relação a esses locais que um dia foram importantes para o diretor.
Um relato disfarçado de documentário sobre o aborrecimento infantil e saudosista do autor (e algumas poucas homenagens a Recife)
Eu queria muito ter gostado mais dessa obra, meu primeiro contato com o cinema do Kleber foi pelo curta metragem ''Vinil Verde'' de 2004 (e que na época frequentando o curso de cinema da minha cidade eu havia esquecido de logar aqui no aplicativo), e sinceramente, que visão deprimente acerca do que ele pretendia retratar aqui (se refletindo principalmente pela sua forma de narração, totalmente apática beirando uma leitura robótica sobre tudo que o cerca), nós temos várias colagens de diferentes épocas, períodos distintos entre si e que significavam algo para o diretor, inclusive com o seu primeiro ato tendo um apreço maior nessa forma incomum de produzir um documentário, e mesmo assim, mesmo gostando de vários momentos e entendendo a importância do local e das figuras para o autor, só senti que foram momentos tão autobiográficos (e um excesso de auto referências pouco importantes), o momento mais íntimo do diretor é justamente o mais desinteressante, mesmo entendendo a importância disso e como isso moldou sua vida para o que veríamos a seguir, não é um foco que o telespectador (pelo menos no meu caso) buscava no momento, e quando passei a gostar mais da obra se tornou justamente no momento do 2º ato em diante, com um aprofundamento maior nos dois principais cinemas da região e de como cada um deles impactaram diretamente na vida do Kleber, mas no fim tudo acaba sem dizer muito, dando a entender uma insatisfação absurda do diretor em relação ao presente e o quanto romantiza seu saudosismo, eu gostaria de ter conhecido mais do município, e principalmente, gostaria que tivesse havido um equilíbrio real em relação a narração, ela se torna tão incômoda em determinados momentos que eu simplesmente só queria falar para o Kleber ''eu já entendi meu amigo, me deixe apreciar um pouco dos momentos'', o silêncio ou sons ambientes dizem tanto quanto uma narração expositiva, e isso deveria ser algo que o autor tivesse plena consciência, o excesso de narrações dá a entender que ele estava desesperado para que tivéssemos uma opinião/visão semelhante a dele sobre tudo que é mostrado (e isso por si só se torna um problema), tanto que, os momentos em que mais me conectei na obra foram justamente em momentos mais contemplativos no cachorro Nico, e da rotina do Seu Alexandre sendo mostrada no cinema São Luiz, momentos que são abruptamente interrompidos para novas narrações do Kleber (feitas a exaustão), enfim, mesmo não gostando como a maioria eu sinto um brilho aqui, há um certo carinho em como são retratados os cinemas de rua, mesmo que da mesma forma haja um leve desprezo pela situação moderna da região em relação a esses locais que um dia foram importantes para o diretor.