''Como eu sou idiota, eu odeio dizer isso mas, eu gosto de você''
A Delinquente é provavelmente um dos principais filmes que ajudaram a fundar o imaginário popular do subgênero noir (antes mesmo dele existir), sendo um dos pais precursores para o que veio posteriormente no pós-guerra, mas é importante ressaltar que muito dessa importância da obra se dá pela forma histórica-estética dela, e não pelo rótulo fechado que se deu nos anos seguintes, é um longa que já apresenta de cara várias estruturas centrais do noir, como a criminalidade urbana, a culpa seguida pela punição e a redenção, além de principalmente não glamourizar o crime, é um sintoma que nasce da pressão social e econômica de sua época, fora a característica incomum de termos uma protagonista feminina e de maior importância na narrativa, alguém que é independente, ambígua e ligada ao crime (criando essa quebra de expectativa em ser retratada de início como uma civil inocente), e uma das coisas que eu mais gostei no filme foi a forma como a cidade é retratada quase como personagem (mesmo que tenhamos poucas variações de locais), ela funciona quase que como uma espiral que acaba por levar os personagens a situações extremas (sem isentar a culpa de cada um dos quatro), temos quatro personagens muito distintos entre si e que de início aparentam seguirem rumos diferentes, um mafioso que está refletindo sobre sua situação e cogitando a redenção (admitindo somente quando há uma conversa íntima e profunda com sua namorada), temos a secretária que está no ponto fixo da trama, além de ser bastante diferente da típica femme fatale, se distanciando da imagem mais sensual e perigosa de personagens feitos pela Lauren Bacall por exemplo, há muito mais uma melancolia do que o tesão típico nessas histórias, com a personagem sendo levada pela inveja e o ciúmes a momentos sombrios, além da mesma ter tido a primeira crise de consciência de admitir em voz alta uma busca pela normalidade e pela redenção, além de outros dois personagens irmãos em que há um conflito por parte de um deles buscar uma ''vida fácil'' em apostas e na máfia, contrastando com a irmã que busca apenas uma vida pacata, cada um desses personagens tem o seu devido desenvolvimento mas senti que a irmã do Hiroshi se tornou quase esquecida em alguns momentos, sendo apresentada somente quando havia necessidade do roteiro e não por uma importância real como personagem na trama, além disso, o diretor não subestima o telespectador, já introduzindo-nos em uma história que estava se desenrolando pela metade até termos o aprofundamento no intrínseco dos protagonistas, preciso elogiar a trilha sonora absurda e de como há uma importância do elemento musical aqui, com frases que engrandecem a sua presença na obra.
''A Música está entre as melhores coisas que Deus criou''
Um dos filmes mais importantes na carreira do Yasujirō Ozu e como definiria o seu estilo como diretor em sua época, com uma decupagem discreta que casou perfeitamente com o clima proposto pelo diretor, essa calmaria-caótica urbana e os seus temas retratados se colidiram resultando em uma obra muito a frente do seu tempo, recomendo bastante.
''Como eu sou idiota, eu odeio dizer isso mas, eu gosto de você''
A Delinquente é provavelmente um dos principais filmes que ajudaram a fundar o imaginário popular do subgênero noir (antes mesmo dele existir), sendo um dos pais precursores para o que veio posteriormente no pós-guerra, mas é importante ressaltar que muito dessa importância da obra se dá pela forma histórica-estética dela, e não pelo rótulo fechado que se deu nos anos seguintes, é um longa que já apresenta de cara várias estruturas centrais do noir, como a criminalidade urbana, a culpa seguida pela punição e a redenção, além de principalmente não glamourizar o crime, é um sintoma que nasce da pressão social e econômica de sua época, fora a característica incomum de termos uma protagonista feminina e de maior importância na narrativa, alguém que é independente, ambígua e ligada ao crime (criando essa quebra de expectativa em ser retratada de início como uma civil inocente), e uma das coisas que eu mais gostei no filme foi a forma como a cidade é retratada quase como personagem (mesmo que tenhamos poucas variações de locais), ela funciona quase que como uma espiral que acaba por levar os personagens a situações extremas (sem isentar a culpa de cada um dos quatro), temos quatro personagens muito distintos entre si e que de início aparentam seguirem rumos diferentes, um mafioso que está refletindo sobre sua situação e cogitando a redenção (admitindo somente quando há uma conversa íntima e profunda com sua namorada), temos a secretária que está no ponto fixo da trama, além de ser bastante diferente da típica femme fatale, se distanciando da imagem mais sensual e perigosa de personagens feitos pela Lauren Bacall por exemplo, há muito mais uma melancolia do que o tesão típico nessas histórias, com a personagem sendo levada pela inveja e o ciúmes a momentos sombrios, além da mesma ter tido a primeira crise de consciência de admitir em voz alta uma busca pela normalidade e pela redenção, além de outros dois personagens irmãos em que há um conflito por parte de um deles buscar uma ''vida fácil'' em apostas e na máfia, contrastando com a irmã que busca apenas uma vida pacata, cada um desses personagens tem o seu devido desenvolvimento mas senti que a irmã do Hiroshi se tornou quase esquecida em alguns momentos, sendo apresentada somente quando havia necessidade do roteiro e não por uma importância real como personagem na trama, além disso, o diretor não subestima o telespectador, já introduzindo-nos em uma história que estava se desenrolando pela metade até termos o aprofundamento no intrínseco dos protagonistas, preciso elogiar a trilha sonora absurda e de como há uma importância do elemento musical aqui, com frases que engrandecem a sua presença na obra.
''A Música está entre as melhores coisas que Deus criou''
Um dos filmes mais importantes na carreira do Yasujirō Ozu e como definiria o seu estilo como diretor em sua época, com uma decupagem discreta que casou perfeitamente com o clima proposto pelo diretor, essa calmaria-caótica urbana e os seus temas retratados se colidiram resultando em uma obra muito a frente do seu tempo, recomendo bastante.