Room 666 é curioso pela sua atualidade. A discussão sobre a crise e a sobrevivência do cinema, que hoje parece urgente, já estava colocada ali em 1982, em um período que coincidiu com o auge de muitos diretores da chamada Nova Hollywood.
Visto de 2026, soa quase paradoxal. O que naquele momento aparecia como uma possível ameaça futura hoje se concretizou de várias formas. Na época, os vetores de crise eram a televisão, o VHS e uma percepção de queda na qualidade dos filmes. Hoje, os vetores são outros, mas, ao meu ver, a sensação de crise é ainda mais gritante, especialmente dentro de Hollywood.
Mais do que afirmar uma crise concreta, o documentário revela como esses diretores já percebiam e sentiam o cinema como um meio em transformação, lidando com incertezas sobre seu futuro.
Entre as várias respostas, as mais interessantes são justamente as mais filosóficas. Werner Herzog, por exemplo, inicia sua fala de forma quase ritualística e desenvolve um raciocínio lúcido, chegando muito perto de antecipar transformações que hoje associamos ao streaming e à mudança na forma de consumo de modo geral.
Por outro lado, Steven Spielberg aparece como um contraponto claro. Enquanto muitos diretores pensam o cinema em termos existenciais, ele se apoia em números, custos de produção e demandas de estúdio. É uma resposta coerente com sua posição na indústria, mas que evidencia uma limitação quando colocada ao lado de reflexões mais profundas dos diretores não estadunidenses.
O documentário funciona justamente nesse contraste. Menos como resposta definitiva e mais como um registro de inquietações que, décadas depois, continuam sem solução. É justamente essa sobreposição de opiniões, entre o prático e o filosófico, que torna o filme tão interessante e relevante até hoje.
Room 666 é curioso pela sua atualidade. A discussão sobre a crise e a sobrevivência do cinema, que hoje parece urgente, já estava colocada ali em 1982, em um período que coincidiu com o auge de muitos diretores da chamada Nova Hollywood.
Visto de 2026, soa quase paradoxal. O que naquele momento aparecia como uma possível ameaça futura hoje se concretizou de várias formas. Na época, os vetores de crise eram a televisão, o VHS e uma percepção de queda na qualidade dos filmes. Hoje, os vetores são outros, mas, ao meu ver, a sensação de crise é ainda mais gritante, especialmente dentro de Hollywood.
Mais do que afirmar uma crise concreta, o documentário revela como esses diretores já percebiam e sentiam o cinema como um meio em transformação, lidando com incertezas sobre seu futuro.
Entre as várias respostas, as mais interessantes são justamente as mais filosóficas. Werner Herzog, por exemplo, inicia sua fala de forma quase ritualística e desenvolve um raciocínio lúcido, chegando muito perto de antecipar transformações que hoje associamos ao streaming e à mudança na forma de consumo de modo geral.
Por outro lado, Steven Spielberg aparece como um contraponto claro. Enquanto muitos diretores pensam o cinema em termos existenciais, ele se apoia em números, custos de produção e demandas de estúdio. É uma resposta coerente com sua posição na indústria, mas que evidencia uma limitação quando colocada ao lado de reflexões mais profundas dos diretores não estadunidenses.
O documentário funciona justamente nesse contraste. Menos como resposta definitiva e mais como um registro de inquietações que, décadas depois, continuam sem solução. É justamente essa sobreposição de opiniões, entre o prático e o filosófico, que torna o filme tão interessante e relevante até hoje.