“europe undertook the leadership of the world with ardor, cynicism, and violence. look at how the shadows of its palaces stretches and multiplies. we must shake off the heavy darkness in witch we are cast, and leave it behind.> yet it is very true that we need a model, and that we want blueprints and examples. for many among of us, the european model was the most inspiring. but when we search for humanity in the technique and style of europe, we see only a succession of negations of humanity and a avalanche of murders.> the human condition, plans for mankind, and collaboration between people in those tasks which increase the sum total of humanity are new problems, which demand true inventions.> let us decide not to imitate europe. let us combine our muscles and our brains in a new direction. let us try to create the whole human being whom europe has been incapable of bringing to triumphant birth.”queria escrever muitas coisas sobre esse documentário mas eu não serei capaz.
gostaria de mais pra frente poder compartilhar meus pensamentos sobre como a questão da colonização europeia na áfrica, embora sim, apresente grandes diferenças culturais, ambientais, históricas e temporais, pode ser uma forma de entendermos novas percepções acerca das raízes e frutos da colonização portuguesa no brasil, mesmo que a mentalidade ocidental moderna nos faça acreditar que existe uma barreira explícita entre a condição do povo latino americano e a condição do povo africano.
esse ano, vou sair pela primeira vez do brasil, o país onde nasci e vivi até então, em direção à europa. procurando sobre a situação de outros brasileiros no continente, me tornei mais profundamente consciente de como a minha imagem pode ser (e provavelmente será) destorcida pela consciência culturalmente dominante europeia, que, nascida de um passado hegemônico e, consequentemente, firmada em um presente supremacista, tendem a quase que naturalmente subjugar fisicamente, moralmente, ideologicamente, economicamente e juridicamente minha existência e identidade, mesmo que no brasil, eu não ocupe uma posição necessariamente oprimida exclusivamente pela minha nacionalidade ou etnia.
essa observação reafirma o fato de que é extremamente importante e fundamental nunca esquecermos que a história brasileira é marcada pela violência colonizadora, pela escravidão e pela exploração. o brasil é e sempre será um país subdesenvolvido, que não encontrará a liberdade enquanto suas raízes se manterem abraçadas na mesma submissão e obediência que lhe foi imposta quando roubaram nossos recursos, nossa liberdade e impediram qualquer desenvolvimento do nosso povo. absolutamente tudo o que nos foi tomado a força foi convertido no “progresso” da europa, que continua nos reconhecendo sobre o mesmo olhar colonial, como ameaça, escória, imigrantes, embora na prática, seus países tenham sido construídos em cima do sangue e trabalho do povo da nossa nação, em contrapartida eles nunca foram e nunca são intrusos, mesmo que sua herança seja literalmente resultado de invasão, roubo e abuso.
logo, fica mais que claro que nós não somos livres, no entanto, essa liberdade faltosa não deve, como dito no início, parecer uma conquista da imitação do modelo europeu, pois nós somos historicamente os dominados, não os dominantes e para nós, a liberdade sempre carregou e deve continuar carregando um significado diferente, nossa liberdade deve estar diretamente ligada com o rompimento dos valores europeus que procuram promover cada vez mais individualismo, dinâmicas de poder e falso progresso, por outro lado deve ser completamente comprometida com o bem estar de toda a comunidade, com o além da libertação meramente econômica, mas psicológica, cultural e ideológica e com o verdadeiro espírito do progresso humano.
existem inúmeros motivos pelos quais esse filme se faz tão presente e urgente, e acredito que seja exatamente por isso que quando os créditos subiram, eu fechei os olhos e chorei, mas meu choro não me remete mais à angústia, ele vem da realização, eu posso (e acontece), de fato, me sobrecarregar com o quão injusta e asquerosa a realidade pode ser e é, mas nunca vou deixar que a desgraça me leve a esperança, a força para lutar e que me submeta a uma política de medo e esquecimento. documentários como esse me relembram com tanta firmeza a história de pessoas que negaram renunciar da liberdade, e eu simplesmente não consigo ver uma opção na desistência, pois é uma verdade inegociável que desistir de ser livre é abdicar da própria existência, e se for pra morrer sem viver, que eu morra vivendo.
feliz 2026 à todos e que nunca, nunca, paremos de lutar pelo nosso direito à uma vida plena e digna para a humanidade e que façamos isso ser cada vez mais, nossa prioridade.