após a elipse que consolida o casamento de paulo e madalena, vemos ambos enquadrados de costas, olhando o horizonte.
o que poderia funcionar metaforicamente como abertura de infinitas possibilidades adquire um caráter bem mais sinistro: toda a terra enquadrada é única e exclusivamente terra de paulo, sua propriedade. o casamento não pode ter esse caráter de abertura pois só existe em cena a presença despótica de paulo encravada na terra, engolindo tudo o que os olhos veem. é um plano bem tenso, que inaugura profeticamente tudo aquilo que acontece em seguida...
...até o momento em que paulo percebe que nada disso se trata dele, que nunca se tratou dele, que frente à imensidão da terra, ele nunca foi nada mais nada menos que um sujeito violento e amargurado, cujo ressentimento terá que carregar consigo até não sei quando de uma vida onde o grito e a imposição já não tem o menor sentido. é o que acontece quando no final, durante as confissões da voz amargurada de paulo, o filme se detém a filmar a terra mais uma vez, enquadrando diferentes camponeses que de fato vivem na terra, enquanto paulo se queixa de que pra ele não resta mais nada.
pelo menos é um personagem que no fim se apropria (em algum nível) de sua miséria. bentinho nem isso conseguiu
os closes de rostos são tão abstraídos da realidade diegética que por alguns instantes viram fragmentos de delírio. a cena em que padilha (em close up) é extorquido pra ceder a fazenda é violentíssima
othon bastos ator tão foda que a cada instante faz paulo parecer que vai explodir
após a elipse que consolida o casamento de paulo e madalena, vemos ambos enquadrados de costas, olhando o horizonte.
o que poderia funcionar metaforicamente como abertura de infinitas possibilidades adquire um caráter bem mais sinistro: toda a terra enquadrada é única e exclusivamente terra de paulo, sua propriedade. o casamento não pode ter esse caráter de abertura pois só existe em cena a presença despótica de paulo encravada na terra, engolindo tudo o que os olhos veem. é um plano bem tenso, que inaugura profeticamente tudo aquilo que acontece em seguida...
...até o momento em que paulo percebe que nada disso se trata dele, que nunca se tratou dele, que frente à imensidão da terra, ele nunca foi nada mais nada menos que um sujeito violento e amargurado, cujo ressentimento terá que carregar consigo até não sei quando de uma vida onde o grito e a imposição já não tem o menor sentido. é o que acontece quando no final, durante as confissões da voz amargurada de paulo, o filme se detém a filmar a terra mais uma vez, enquadrando diferentes camponeses que de fato vivem na terra, enquanto paulo se queixa de que pra ele não resta mais nada.
pelo menos é um personagem que no fim se apropria (em algum nível) de sua miséria. bentinho nem isso conseguiu
os closes de rostos são tão abstraídos da realidade diegética que por alguns instantes viram fragmentos de delírio. a cena em que padilha (em close up) é extorquido pra ceder a fazenda é violentíssima
othon bastos ator tão foda que a cada instante faz paulo parecer que vai explodir