CARACA AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA PELO AMOR DE DEUS QUE FILME É ESSE EU AMO TANTO O CLINT EASTWOOD.
Eastwood não faz uma homenagem simples e sim faz uma análise psicológica de um tipo muito específico de homem: o diretor genial, egocêntrico, obcecado, que usa a arte como justificativa para tudo. adoro a metalinguagem aqui, acho tão brilhantemente usada como foi também em outros filmes que eu amo, tipo crepúsculo dos deuses, cantando na chuva ou até mesmo rosa púrpura do cairo.
o que torna a atuação dele impressionante é que o personagem é carismático e totalmente REPULSIVO ao mesmo tempo. Você gosta dele (muito pelo carisma do ator, porque confesso que não sei qual seria minha reação se fosse qualquer outro, ou mesmo se fosse um ator que eu tivesse antipatia), ri dele, mas também fica desconfortável. ele faz isso de propósito mostrando como homens poderosos podem ser encantadores e extremamente perigosos ao mesmo tempo. depois que descobri que foi baseado no john Houston tudo fez sentido.
o filme inteiro é uma crítica na obsessão masculina em mostrar dominância em todos os lugares por onde vai. o diretor john, nosso protagonista, está obcecado em caçar um elefante. mas se analisar por cinco segundinhos você já pesca o plot da história, que não é sobre o elefante ou sobre ir para outro país gravar um filme: é sobre ego, poder, provar que é capaz. clint eastwood usa isso como metáfora para diretores que colocam a própria obsessão acima das pessoas, da equipe, do dinheiro do estúdio, de tudo.
além disso, é um dos filmes com tema racial e sobre o colonialismo mais geniais que eu já vi, sutilmente nas cenas e isso me deixou embasbacada no quanto é incrível. mostra como os europeus e americanos tratavam a África como um playground e o filme critica esse olhar colonial sem fazer discurso, só mostrando o comportamento dos personagens. é muito sofisticado, porque não é um filme “falando sobre racismo”, ele mostra o racismo estrutural nas atitudes.
ainda mais fascinante é o quanto o clint é FODA em construir personagens, especialmente os protagonistas com moral duvidosa. mesmo que o john seja um homem a primeira vista super sério e bom (a cena dele confrontando a mulher branca falando palavras com cunho nazista na mesa em que ele estava, bem antes dos 40 minutos de filme foi TÃO satisfatória!) ainda assim esse personagem se inclui na moralidade duvidosa que ele, clint, sempre foi bom em fazer, um tipo de personagem que é acima de tudo, arrogante e com ideais americanos no estilo bem ‘john smith’ em meio aos nativos.
pouquíssimos diretores têm coragem de fazer um filme assim, especialmente um que na época já estava no auge fazendo seus próprios filmes (sim, to falando do próprio clint eastwood, famosíssimo em Hollywood nessa época) criticando o próprio tipo de homem que a indústria idolatra. eu admiro esse homem demais, não preciso nem me explicar mais, não é? lembro de ver no documentário sobre a história dele, que ele sente que falou tudo o que quis expressar, até mesmo em escolhas difíceis e temas que ninguém na época tinha coragem de citar e que fez tudo isso em seus filmes, e eu não poderia concordar menos.
CARACA AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA PELO AMOR DE DEUS QUE FILME É ESSE EU AMO TANTO O CLINT EASTWOOD.
Eastwood não faz uma homenagem simples e sim faz uma análise psicológica de um tipo muito específico de homem: o diretor genial, egocêntrico, obcecado, que usa a arte como justificativa para tudo. adoro a metalinguagem aqui, acho tão brilhantemente usada como foi também em outros filmes que eu amo, tipo crepúsculo dos deuses, cantando na chuva ou até mesmo rosa púrpura do cairo.
o que torna a atuação dele impressionante é que o personagem é carismático e totalmente REPULSIVO ao mesmo tempo. Você gosta dele (muito pelo carisma do ator, porque confesso que não sei qual seria minha reação se fosse qualquer outro, ou mesmo se fosse um ator que eu tivesse antipatia), ri dele, mas também fica desconfortável. ele faz isso de propósito mostrando como homens poderosos podem ser encantadores e extremamente perigosos ao mesmo tempo. depois que descobri que foi baseado no john Houston tudo fez sentido.
o filme inteiro é uma crítica na obsessão masculina em mostrar dominância em todos os lugares por onde vai. o diretor john, nosso protagonista, está obcecado em caçar um elefante. mas se analisar por cinco segundinhos você já pesca o plot da história, que não é sobre o elefante ou sobre ir para outro país gravar um filme: é sobre ego, poder, provar que é capaz. clint eastwood usa isso como metáfora para diretores que colocam a própria obsessão acima das pessoas, da equipe, do dinheiro do estúdio, de tudo.
além disso, é um dos filmes com tema racial e sobre o colonialismo mais geniais que eu já vi, sutilmente nas cenas e isso me deixou embasbacada no quanto é incrível. mostra como os europeus e americanos tratavam a África como um playground e o filme critica esse olhar colonial sem fazer discurso, só mostrando o comportamento dos personagens. é muito sofisticado, porque não é um filme “falando sobre racismo”, ele mostra o racismo estrutural nas atitudes.
ainda mais fascinante é o quanto o clint é FODA em construir personagens, especialmente os protagonistas com moral duvidosa. mesmo que o john seja um homem a primeira vista super sério e bom (a cena dele confrontando a mulher branca falando palavras com cunho nazista na mesa em que ele estava, bem antes dos 40 minutos de filme foi TÃO satisfatória!) ainda assim esse personagem se inclui na moralidade duvidosa que ele, clint, sempre foi bom em fazer, um tipo de personagem que é acima de tudo, arrogante e com ideais americanos no estilo bem ‘john smith’ em meio aos nativos.
pouquíssimos diretores têm coragem de fazer um filme assim, especialmente um que na época já estava no auge fazendo seus próprios filmes (sim, to falando do próprio clint eastwood, famosíssimo em Hollywood nessa época) criticando o próprio tipo de homem que a indústria idolatra. eu admiro esse homem demais, não preciso nem me explicar mais, não é? lembro de ver no documentário sobre a história dele, que ele sente que falou tudo o que quis expressar, até mesmo em escolhas difíceis e temas que ninguém na época tinha coragem de citar e que fez tudo isso em seus filmes, e eu não poderia concordar menos.