Em A Touch of Zen, King Hu volta a expandir os limites do gênero em mais uma experimentação ousada com o wuxia que coloca as artes marciais em segundo plano. O filme acompanha um desenhista pobre de um vilarejo cuja vida é completamente alterada após o surgimento de pessoas misteriosas ao seu redor. De repente, uma pessoa comum se vê envolvida em conflitos entre facções, intrigas políticas, heróis que operam nos limites do humano, mistérios envolvendo possíveis elementos sobrenaturais e uma atmosfera constante de tensão e suspense.
Mais interessado na forma e no mistério do que na ação em si, King Hu dedica grande parte do filme à construção dos espaços, dos silêncios e da sensação de que algo está sempre prestes a emergir das sombras. Essa preocupação com a atmosfera é tão grande que muitas das cenas de ação acontecem à noite ou em ambientes pouco iluminados. Embora isso fortaleça o clima que o diretor procura criar, em alguns momentos também prejudica a visualização dos confrontos.
Assim como em Come Drink With Me, King Hu coloca novamente uma mulher jovem e extremamente capaz no centro da narrativa. Yang Huizhen reafirma uma característica marcante de sua filmografia e ajuda a consolidar um modelo de heroína que influenciaria inúmeras protagonistas do wuxia nas décadas seguintes.
Também impressiona a forma como o filme incorpora diferentes tradições filosóficas chinesas. O conflito político e moral remete ao confucionismo, a relação dos personagens com a natureza evoca o taoismo, enquanto o desfecho aproxima a narrativa de temas budistas como transcendência e iluminação.
Quando o confronto final finalmente acontece, o filme muda de registro. Em uma floresta iluminada, King Hu entrega uma sequência de combate magnífica para 1970, com excelente coreografia e técnicas que se tornariam cada vez mais comuns no gênero nos anos seguintes.
Touch of Zen não é um filme fàcil, seu começo é lento, pois o diretor toma seu tempo para construir a atmosfera. um pouco estranho e confuso, pois é assim que o personagem principal também se sente, contudo engrena a cada camada nova que é apresentada.
Mais do que um grande filme, A Touch of Zen ajuda a definir as possibilidades do próprio wuxia. Mistério, política, espiritualidade, contemplação e ação coexistem de forma ambiciosa em uma obra que parece antecipar muitos dos elementos presentes nas produções de cinema e televisão mais populares da China contemporânea. Como em seus trabalhos anteriores, King Hu volta a demonstrar uma capacidade rara de expandir os horizontes do gênero, criando uma obra cujo impacto continua sendo sentido décadas depois.
Em A Touch of Zen, King Hu volta a expandir os limites do gênero em mais uma experimentação ousada com o wuxia que coloca as artes marciais em segundo plano. O filme acompanha um desenhista pobre de um vilarejo cuja vida é completamente alterada após o surgimento de pessoas misteriosas ao seu redor. De repente, uma pessoa comum se vê envolvida em conflitos entre facções, intrigas políticas, heróis que operam nos limites do humano, mistérios envolvendo possíveis elementos sobrenaturais e uma atmosfera constante de tensão e suspense.
Mais interessado na forma e no mistério do que na ação em si, King Hu dedica grande parte do filme à construção dos espaços, dos silêncios e da sensação de que algo está sempre prestes a emergir das sombras. Essa preocupação com a atmosfera é tão grande que muitas das cenas de ação acontecem à noite ou em ambientes pouco iluminados. Embora isso fortaleça o clima que o diretor procura criar, em alguns momentos também prejudica a visualização dos confrontos.
Assim como em Come Drink With Me, King Hu coloca novamente uma mulher jovem e extremamente capaz no centro da narrativa. Yang Huizhen reafirma uma característica marcante de sua filmografia e ajuda a consolidar um modelo de heroína que influenciaria inúmeras protagonistas do wuxia nas décadas seguintes.
Também impressiona a forma como o filme incorpora diferentes tradições filosóficas chinesas. O conflito político e moral remete ao confucionismo, a relação dos personagens com a natureza evoca o taoismo, enquanto o desfecho aproxima a narrativa de temas budistas como transcendência e iluminação.
Quando o confronto final finalmente acontece, o filme muda de registro. Em uma floresta iluminada, King Hu entrega uma sequência de combate magnífica para 1970, com excelente coreografia e técnicas que se tornariam cada vez mais comuns no gênero nos anos seguintes.
Touch of Zen não é um filme fàcil, seu começo é lento, pois o diretor toma seu tempo para construir a atmosfera. um pouco estranho e confuso, pois é assim que o personagem principal também se sente, contudo engrena a cada camada nova que é apresentada.
Mais do que um grande filme, A Touch of Zen ajuda a definir as possibilidades do próprio wuxia. Mistério, política, espiritualidade, contemplação e ação coexistem de forma ambiciosa em uma obra que parece antecipar muitos dos elementos presentes nas produções de cinema e televisão mais populares da China contemporânea. Como em seus trabalhos anteriores, King Hu volta a demonstrar uma capacidade rara de expandir os horizontes do gênero, criando uma obra cujo impacto continua sendo sentido décadas depois.