o princípio é interessante e extremamente necessário, a guerra de independência argelina foi um conflito muito violento e complexo, a história desse confronto necessita de mais contemplação, questionamento e reconhecimento. aqui, existe referências claras à nomes de revolucionários marcantes (às vezes um pouco caricatos demais e por outras, apáticos demais) e eventos que marcam o processo de luta, e, dentro do possível, se consegue reivindicar a memória de um povo esquecido, como deve fazer o cinema histórico minimamente decente.
a maior qualidade desse filme é o fato de que ele, até certo ponto, evoca e preserva com carinho um sentimento coletivo e reivindica com gosto a força sociopolítica da coletividade. infelizmente, isso é atropelado pelo seu ponto mais baixo (que ironicamente contrapõe o ponto alto); a completa invisibilização narrativa do papel das mulheres no processo revolucionário, papel esse que foi fundamental para o alcance da independência argelina, vinculado à FNL ou não. a contradição implicada em relembrar e valorizar a trajetória de homens argelinos na guerra ao mesmo tempo em que enterra o passado de mulheres que foram tão presentes quanto deixou um amargo incontornável.
além disso, a montagem é consideravelmente hollywoodiana/europeia, não me admira que foi um dos filmes argelinos (que realmente foi dirigido por um diretor argelino) cogitados ao oscar e a única produção africana a ganhar a palma de ouro. não sou uma grande fã dessa escala épica e drama operístico, esses elementos “condicionados” com fim de emocionar costumam me causar exatamente o contrário, principalmente quando se trata de enredos que se entrelaçam diretamente com o terror da guerra, da colonização, da repressão, da violência e o caminhar de processos revolucionários, situações que no geral costumam transpassar esse tipo de observação “heróica”.
apesar dos tropeços, é uma obra que possui coisas a se zelar por retomar um passado (parcial) que precisa ser denunciado e relembrar a urgência de se romper com o colonialismo.
o princípio é interessante e extremamente necessário, a guerra de independência argelina foi um conflito muito violento e complexo, a história desse confronto necessita de mais contemplação, questionamento e reconhecimento. aqui, existe referências claras à nomes de revolucionários marcantes (às vezes um pouco caricatos demais e por outras, apáticos demais) e eventos que marcam o processo de luta, e, dentro do possível, se consegue reivindicar a memória de um povo esquecido, como deve fazer o cinema histórico minimamente decente.
a maior qualidade desse filme é o fato de que ele, até certo ponto, evoca e preserva com carinho um sentimento coletivo e reivindica com gosto a força sociopolítica da coletividade. infelizmente, isso é atropelado pelo seu ponto mais baixo (que ironicamente contrapõe o ponto alto); a completa invisibilização narrativa do papel das mulheres no processo revolucionário, papel esse que foi fundamental para o alcance da independência argelina, vinculado à FNL ou não. a contradição implicada em relembrar e valorizar a trajetória de homens argelinos na guerra ao mesmo tempo em que enterra o passado de mulheres que foram tão presentes quanto deixou um amargo incontornável.
além disso, a montagem é consideravelmente hollywoodiana/europeia, não me admira que foi um dos filmes argelinos (que realmente foi dirigido por um diretor argelino) cogitados ao oscar e a única produção africana a ganhar a palma de ouro. não sou uma grande fã dessa escala épica e drama operístico, esses elementos “condicionados” com fim de emocionar costumam me causar exatamente o contrário, principalmente quando se trata de enredos que se entrelaçam diretamente com o terror da guerra, da colonização, da repressão, da violência e o caminhar de processos revolucionários, situações que no geral costumam transpassar esse tipo de observação “heróica”.
apesar dos tropeços, é uma obra que possui coisas a se zelar por retomar um passado (parcial) que precisa ser denunciado e relembrar a urgência de se romper com o colonialismo.