Assisti Tokyo Twilight com a expectativa de encontrar aquele impacto emocional que costuma sustentar o prestígio do Yasujirō Ozu, mas a experiência, pra mim, ficou mais no campo da leitura crítica do que do envolvimento.
Há um valor temático inegável. Para 1957, o filme lida com questões socialmente sensíveis como gravidez fora do casamento, aborto e desintegração familiar com uma franqueza pouco comum dentro do contexto japonês do pós-guerra. Isso ajuda a explicar parte da sua consagração. Ainda assim, deslocado do seu momento histórico, o filme passa a depender mais da sua construção dramática e da capacidade de gerar impacto emocional direto, e é justamente aí que ele me parece menos eficaz.
A mise-en-scène é rigorosa, como se espera do Ozu. Os enquadramentos baixos, a composição estática e o uso do espaço doméstico como extensão do estado emocional dos personagens continuam muito precisos. Há também um trabalho interessante na construção de uma Tóquio noturna, fragmentada e impessoal, que dialoga com o isolamento das personagens. Formalmente, é um filme consistente.
Mas essa mesma contenção formal, que em outros trabalhos do diretor potencializa a emoção, aqui me soa como um fator de distanciamento. A trajetória da Akiko Sugiyama é, em essência, trágica, mas raramente atinge uma dimensão sensorial mais intensa. O filme observa o colapso dela com precisão, porém sem gerar uma verdadeira imersão nesse sofrimento.
Existe uma tensão interessante entre o material melodramático e a abordagem austera do Ozu, mas, no meu caso, essa tensão não se resolve de forma produtiva. Em vez de amplificar o drama, a encenação acaba por amortecê-lo. O resultado é um filme que eu consigo admirar pela estrutura, pelo contexto e pelas escolhas formais, mas que não me atravessa.
Entendo perfeitamente por que ele é tão discutido dentro da filmografia do diretor, especialmente por ser um de seus trabalhos mais sombrios. Ainda assim, como experiência, ficou aquém do que eu esperava. É um daqueles casos em que o respeito intelectual supera o impacto emocional.
Assisti Tokyo Twilight com a expectativa de encontrar aquele impacto emocional que costuma sustentar o prestígio do Yasujirō Ozu, mas a experiência, pra mim, ficou mais no campo da leitura crítica do que do envolvimento.
Há um valor temático inegável. Para 1957, o filme lida com questões socialmente sensíveis como gravidez fora do casamento, aborto e desintegração familiar com uma franqueza pouco comum dentro do contexto japonês do pós-guerra. Isso ajuda a explicar parte da sua consagração. Ainda assim, deslocado do seu momento histórico, o filme passa a depender mais da sua construção dramática e da capacidade de gerar impacto emocional direto, e é justamente aí que ele me parece menos eficaz.
A mise-en-scène é rigorosa, como se espera do Ozu. Os enquadramentos baixos, a composição estática e o uso do espaço doméstico como extensão do estado emocional dos personagens continuam muito precisos. Há também um trabalho interessante na construção de uma Tóquio noturna, fragmentada e impessoal, que dialoga com o isolamento das personagens. Formalmente, é um filme consistente.
Mas essa mesma contenção formal, que em outros trabalhos do diretor potencializa a emoção, aqui me soa como um fator de distanciamento. A trajetória da Akiko Sugiyama é, em essência, trágica, mas raramente atinge uma dimensão sensorial mais intensa. O filme observa o colapso dela com precisão, porém sem gerar uma verdadeira imersão nesse sofrimento.
Existe uma tensão interessante entre o material melodramático e a abordagem austera do Ozu, mas, no meu caso, essa tensão não se resolve de forma produtiva. Em vez de amplificar o drama, a encenação acaba por amortecê-lo. O resultado é um filme que eu consigo admirar pela estrutura, pelo contexto e pelas escolhas formais, mas que não me atravessa.
Entendo perfeitamente por que ele é tão discutido dentro da filmografia do diretor, especialmente por ser um de seus trabalhos mais sombrios. Ainda assim, como experiência, ficou aquém do que eu esperava. É um daqueles casos em que o respeito intelectual supera o impacto emocional.