Acho que é por isso que eu grito. Eu grito tanto, que ninguém me ouve.
Uma mistura abrasileirada de Nomadland, Pearl e Cisne Negro.
Não consegui simpatizar com a personagem principal, Pacarrete, e esse é justamente o ponto crucial para uma boa experiência com o longa. Achei ela uma chata, metida a burguesa francesa que não se desgarrou durante toda a vida de um sonho, e por isso se acha superior a alguém. Mesmo que hajam traços que considere positivos na montagem da personagem, no frigir dos ovos o resultado não me agrada nada. Acompanhar 1h e meia de alguém que você sente algo que vai da apatia ao desgosto não é lá aquelas coisas.
Ele se torna pacato com pouco tempo de duração, previsível e aborrecido, não se sustenta por toda a sua duração, repetindo, de maneira cada vez mais exagerada, a mesma situação.
A atuação da Marcélia se torna propositalmente caricata, repetitiva, cansada, um potencial desperdiçado, uma vez que o roteiro, com a superficialidade de um pires, não a põe a prova verdadeiramente, apenas finge fazê-lo com trechos manjados.
O final me agrada, mesmo que apenas cumpra o que é esperado e cravado na história desde o princípio, a montagem da cena é belíssima e finaliza de maneira gratificante.
O cinema nacional, pelo que tenho visto, tem um problema bem grande com a criação de símbolos, com significado ultracondensado e isso se repete aqui, elementos são adicionados para representar um estado emocional da personagem, servem unica e exclusivamente para isso. Me lembrou os ventiladores de
O palhaço. Existem problemas e existem acertos, não foi minha praia, não é por isso que não será a sua.