Japão provando mais uma vez que ninguem captura esse conceito de juventude perdida como eles.
*
Happyend* é um belo filme coming of age com um toque político sobre jovens tentando respirar dentro de um sistema opressor que usa a desculpa de desastres naturais para se tornar cada vez mais autoritário, tudo isso enquanto ainda aprendem a lidar com as relações complicadas da vida e com todos os problemas pessoais dessa fase da juventude.
Mas, mais do que isso, o filme traz o tempo todo essa sensação de abandono: os adultos e tudo ao redor parecem distantes, como se ninguém realmente se importasse. É uma juventude que está basicamente largada, tendo que criar suas próprias formas de existir, de se expressar e até de se revoltar. E o fato de nada disso ser representado de maneira grandiosa e absurda deixa tudo ainda mais real.
E é nesse contexto que a amizade do Yuta e do Kou, e do grupo como um todo, mas principalmente deles dois, ganha ainda mais peso. Porque não é só uma amizade mudando com o tempo, é uma conexão que tá sendo cada vez mais afetada por tudo ao redor, pelas escolhas, pelas pressões externas e, principalmente, pelas formas diferentes de reagir a esse mundo quebrado. E aí fica claro que, por mais que tentem, a relação dos dois não vai voltar a ser a mesma, e tudo bem, porque, por mais doloroso que seja, existem amizades que simplesmente vão se desfazendo aos poucos. O contraste entre a cena de despedida do começo do filme e a do final é uma prova clara disso.
No fim, o filme junta essas duas camadas, o político e o íntimo, de um jeito bem cruel. Porque, enquanto o sistema falha com eles de forma coletiva, existe ali o suspiro da amizade, os momentos ternos com os amigos, as risadas serenas, as brincadeiras bobas, tudo isso pra tentar lidar com um mundo que já parece perdido.
Japão provando mais uma vez que ninguem captura esse conceito de juventude perdida como eles.
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Happyend* é um belo filme coming of age com um toque político sobre jovens tentando respirar dentro de um sistema opressor que usa a desculpa de desastres naturais para se tornar cada vez mais autoritário, tudo isso enquanto ainda aprendem a lidar com as relações complicadas da vida e com todos os problemas pessoais dessa fase da juventude.
Mas, mais do que isso, o filme traz o tempo todo essa sensação de abandono: os adultos e tudo ao redor parecem distantes, como se ninguém realmente se importasse. É uma juventude que está basicamente largada, tendo que criar suas próprias formas de existir, de se expressar e até de se revoltar. E o fato de nada disso ser representado de maneira grandiosa e absurda deixa tudo ainda mais real.
E é nesse contexto que a amizade do Yuta e do Kou, e do grupo como um todo, mas principalmente deles dois, ganha ainda mais peso. Porque não é só uma amizade mudando com o tempo, é uma conexão que tá sendo cada vez mais afetada por tudo ao redor, pelas escolhas, pelas pressões externas e, principalmente, pelas formas diferentes de reagir a esse mundo quebrado. E aí fica claro que, por mais que tentem, a relação dos dois não vai voltar a ser a mesma, e tudo bem, porque, por mais doloroso que seja, existem amizades que simplesmente vão se desfazendo aos poucos. O contraste entre a cena de despedida do começo do filme e a do final é uma prova clara disso.
No fim, o filme junta essas duas camadas, o político e o íntimo, de um jeito bem cruel. Porque, enquanto o sistema falha com eles de forma coletiva, existe ali o suspiro da amizade, os momentos ternos com os amigos, as risadas serenas, as brincadeiras bobas, tudo isso pra tentar lidar com um mundo que já parece perdido.