
Where Does Your Hidden Smile Lie?
2003·Documentary·1h 44m
7.1
★



Undaunted by a commission to make a film about his mentors and aesthetic exemplars, the filmmaking team of Jean-Marie Straub and Danièle Huillet, Costa records with great sensitivity and insight the exacting process by which the two re-edit their film Sicilia!, discussing and arguing over each cut and its effect. Incorporating comments about the influence of figures as diverse as Chaplin and Eisenstein, about the ethical and aesthetic implications of film technique and such matters as rhythm, sound mixing, and acting. The film becomes a tour de force, immersing us in the mysteries of cinema as practiced by some of its greatest creators. Costa calls the film both his first comedy and his first love story.
Directed by Pedro Costa
observer

Trailer

IMDB
N/A
Cast

Jean-Marie Straub
Himself

Danièle Huillet
Herself
Crew

Pedro Costa
Director

Dominique Auvray
Editor

Pedro Costa
Director of Photography

Jeanne Lapoirie
Director of Photography

Thierry Garrel
Producer
Popular Reviews
7 reviews
Milan

Dynamic between Straub and Huillet genuinely reminiscent of my parents
Dynamic between Straub and Huillet genuinely reminiscent of my parents
Gabriel
10.0★ · 02/23/26

“Se queremos trabalhar com nuances, condensações, dilatações ou deflagrações, não podemos andar por aí e dizer que ‘tudo está em tudo’, que é tudo a mesma coisa. Quem fala assim é gente sem moral, incapaz de ter emoções, contidas ou violentas.”
Meu primeiro contato com uma obra dirigida por Pedro Costa, acompanhando o olhar do cineasta sobre o trabalho de Straub & Huillet, foi profundamente marcante. Ambos, em uma primeira impressão, fascinam pela naturalidade com que trabalham em dupla — pelas divergências constantes que, paradoxalmente, culminam em um resultado satisfatório, ainda que permeado pelas inseguranças do autor, como se percebe no desfecho.
Uma particularidade que me chamou atenção foi o uso recorrente das sombras e da iluminação, empregadas de maneira precisa e expressiva, em sintonia com os próprios cineastas em cena. Pedro Costa filma Straub quase como uma figura invasora no espaço alheio, mantendo postura firme e impondo seus desejos e sua visão sobre a obra — não de forma maquiavélica ou antagônica, mas como fruto de uma longa experiência compartilhada entre ele e Danièle Huillet.
O modo como o diretor retrata todo o processo técnico como algo sagrado, quase ritualístico, contrasta fortemente com o cinema contemporâneo ao qual estamos habituados. Aqui, discutem-se segundos, respirações e pausas mínimas; o corte torna-se uma decisão ética. Cada plano carrega peso próprio, cada duração é deliberada, e o tempo é respeitado como experiência real. A repetição das análises lembra um ritual de precisão: o cinema é tratado como algo que exige concentração moral.
Pedro Costa opta por uma direção estática, colocando-nos como observadores passivos, enclausurados em espaços reduzidos. Tornamo-nos parte integrante daqueles ambientes, vivenciando e respirando as indecisões e discussões do casal. Participamos, de certo modo, do “nascimento” metafórico da obra — relembrando uma máxima que ouvi em um curso de cinema: o filme realmente nasce na sala de montagem; antes disso, temos apenas um amontoado de cenas que precisam se complementar.
Em contraste, ao pensarmos no modelo contemporâneo de blockbuster — especialmente nos filmes de super-herói do MCU — encontramos uma montagem padronizada, regida por princípios industriais: ritmo acelerado e constante, excesso de cobertura com múltiplos ângulos para a mesma ação, cortes rápidos que simulam intensidade e alternância previsível entre ação, humor e exposição. O objetivo não é explorar nuances temporais, mas manter estímulo contínuo, funcionando como mecanismo de retenção de atenção — um fluxo incessante que pouco espaço concede à contemplação.
um desprezível TikTok estendido com cerca de 1h e 30 min...
Nesta obra, ao contrário, somos convidados a sentir o peso da duração, os dilemas que ela impõe e as perspectivas singulares de seus criadores. O cinema é tratado como artesanato rigoroso e quase ascético, distante da lógica de produto calibrado para consumo massivo. A frase que abre esta análise sintetiza essa postura: Straub recusa a ideia de que “tudo está em tudo” porque ela representa uma visão relativista e indiferente. Para ele, cada corte é uma decisão ética absoluta. Se tudo fosse equivalente, nada teria importância específica. “Moral”, aqui, significa responsabilidade — uma crítica contundente ao cinema industrial descuidado, onde o ritmo é arbitrário, a montagem automática e a emoção inflada artificialmente.
Há também um tom melancólico que atravessa o filme, perceptível na diferença geracional entre os cineastas e no modo como refletem sobre o tempo:
“Já fizemos uma coisa assim, quando éramos novos.”
“Primeiro, já não somos novos e, segundo, o ruído não é muito distinto.”
Esse diálogo carrega um sentimento quase depressivo em relação ao tempo e ao pertencimento geracional. O processo criativo é retratado como rotina, mas também como enfrentamento constante da própria finitude. A cena final, em especial, provoca uma emoção difícil de traduzir: a insegurança e a ansiedade do cineasta diante de sua obra tornam-se contagiosas, culminando em um encerramento poderoso.
Por fim, é importante reconhecer que se trata de uma obra pouco digerível para o público leigo, não habituado a essa abordagem metódica e contemplativa do processo de criação. Embora dialogue com o formato documental, distancia-se dos modelos convencionais e formulaicos. É, acima de tudo, um filme para quem ama o cinema — não apenas como entretenimento, mas como linguagem, ética e gesto artístico.
“Se queremos trabalhar com nuances, condensações, dilatações ou deflagrações, não podemos andar por aí e dizer que ‘tudo está em tudo’, que é tudo a mesma coisa. Quem fala assim é gente sem moral, incapaz de ter emoções, contidas ou violentas.”
Meu primeiro contato com uma obra dirigida por Pedro Costa, acompanhando o olhar do cineasta sobre o trabalho de Straub & Huillet, foi profundamente marcante. Ambos, em uma primeira impressão, fascinam pela naturalidade com que trabalham em dupla — pelas divergências constantes que, paradoxalmente, culminam em um resultado satisfatório, ainda que permeado pelas inseguranças do autor, como se percebe no desfecho.
Uma particularidade que me chamou atenção foi o uso recorrente das sombras e da iluminação, empregadas de maneira precisa e expressiva, em sintonia com os próprios cineastas em cena. Pedro Costa filma Straub quase como uma figura invasora no espaço alheio, mantendo postura firme e impondo seus desejos e sua visão sobre a obra — não de forma maquiavélica ou antagônica, mas como fruto de uma longa experiência compartilhada entre ele e Danièle Huillet.
O modo como o diretor retrata todo o processo técnico como algo sagrado, quase ritualístico, contrasta fortemente com o cinema contemporâneo ao qual estamos habituados. Aqui, discutem-se segundos, respirações e pausas mínimas; o corte torna-se uma decisão ética. Cada plano carrega peso próprio, cada duração é deliberada, e o tempo é respeitado como experiência real. A repetição das análises lembra um ritual de precisão: o cinema é tratado como algo que exige concentração moral.
Pedro Costa opta por uma direção estática, colocando-nos como observadores passivos, enclausurados em espaços reduzidos. Tornamo-nos parte integrante daqueles ambientes, vivenciando e respirando as indecisões e discussões do casal. Participamos, de certo modo, do “nascimento” metafórico da obra — relembrando uma máxima que ouvi em um curso de cinema: o filme realmente nasce na sala de montagem; antes disso, temos apenas um amontoado de cenas que precisam se complementar.
Em contraste, ao pensarmos no modelo contemporâneo de blockbuster — especialmente nos filmes de super-herói do MCU — encontramos uma montagem padronizada, regida por princípios industriais: ritmo acelerado e constante, excesso de cobertura com múltiplos ângulos para a mesma ação, cortes rápidos que simulam intensidade e alternância previsível entre ação, humor e exposição. O objetivo não é explorar nuances temporais, mas manter estímulo contínuo, funcionando como mecanismo de retenção de atenção — um fluxo incessante que pouco espaço concede à contemplação.
um desprezível TikTok estendido com cerca de 1h e 30 min...
Nesta obra, ao contrário, somos convidados a sentir o peso da duração, os dilemas que ela impõe e as perspectivas singulares de seus criadores. O cinema é tratado como artesanato rigoroso e quase ascético, distante da lógica de produto calibrado para consumo massivo. A frase que abre esta análise sintetiza essa postura: Straub recusa a ideia de que “tudo está em tudo” porque ela representa uma visão relativista e indiferente. Para ele, cada corte é uma decisão ética absoluta. Se tudo fosse equivalente, nada teria importância específica. “Moral”, aqui, significa responsabilidade — uma crítica contundente ao cinema industrial descuidado, onde o ritmo é arbitrário, a montagem automática e a emoção inflada artificialmente.
Há também um tom melancólico que atravessa o filme, perceptível na diferença geracional entre os cineastas e no modo como refletem sobre o tempo:
“Já fizemos uma coisa assim, quando éramos novos.”
“Primeiro, já não somos novos e, segundo, o ruído não é muito distinto.”
Esse diálogo carrega um sentimento quase depressivo em relação ao tempo e ao pertencimento geracional. O processo criativo é retratado como rotina, mas também como enfrentamento constante da própria finitude. A cena final, em especial, provoca uma emoção difícil de traduzir: a insegurança e a ansiedade do cineasta diante de sua obra tornam-se contagiosas, culminando em um encerramento poderoso.
Por fim, é importante reconhecer que se trata de uma obra pouco digerível para o público leigo, não habituado a essa abordagem metódica e contemplativa do processo de criação. Embora dialogue com o formato documental, distancia-se dos modelos convencionais e formulaicos. É, acima de tudo, um filme para quem ama o cinema — não apenas como entretenimento, mas como linguagem, ética e gesto artístico.
charlie
9.4★ · 01/28/25

Utterly speechless right now. Is this the best film about filmmaking ever made?
I always knew editing was an emotionally driven process, but adding the layer of Straub/Huillet's stylistic goals of wanting little to no emotion changes the situation entirely because the editing is still emotionally driven... but there is no emotion, at least no visible emotion
I always knew editing was an emotionally driven process, but adding the layer of Straub/Huillet's stylistic goals of wanting little to no emotion changes the situation entirely because the editing is still emotionally driven... but there is no emotion, at least no visible emotion
Utterly speechless right now. Is this the best film about filmmaking ever made?
I always knew editing was an emotionally driven process, but adding the layer of Straub/Huillet's stylistic goals of wanting little to no emotion changes the situation entirely because the editing is still emotionally driven... but there is no emotion, at least no visible emotion
I always knew editing was an emotionally driven process, but adding the layer of Straub/Huillet's stylistic goals of wanting little to no emotion changes the situation entirely because the editing is still emotionally driven... but there is no emotion, at least no visible emotion
Eduarda
10.0★ · 03/04/23

Todo o esforço da ideia em construir uma estrutura latente que dê conta dos movimentos e dos jogos envolvidos no processo da montagem, sejam eles de ordem manual, intelectual ou afetiva, colide de frente com a intervenção final; a trilha sonora no último plano parece tão impossível que derruba qualquer texto que se cria na relação espectador-filme para dar espaço a uma dimensão dramática muito mais poderosa, uma dimensão dramática que nunca, em momento algum, esteve latente (se esteve, foi sob o véu da ingenuidade). Uma dimensão que, desde o começo, captura tanto que seria estranho se não ficássemos tentados à um movimento de produção de sentido.
Não é à toa, um filme sobre montagem. O processo da produção não sintetiza nada, mas mobiliza mundos inteiros.
Filme muito bonito.
Não é à toa, um filme sobre montagem. O processo da produção não sintetiza nada, mas mobiliza mundos inteiros.
Filme muito bonito.
Todo o esforço da ideia em construir uma estrutura latente que dê conta dos movimentos e dos jogos envolvidos no processo da montagem, sejam eles de ordem manual, intelectual ou afetiva, colide de frente com a intervenção final; a trilha sonora no último plano parece tão impossível que derruba qualquer texto que se cria na relação espectador-filme para dar espaço a uma dimensão dramática muito mais poderosa, uma dimensão dramática que nunca, em momento algum, esteve latente (se esteve, foi sob o véu da ingenuidade). Uma dimensão que, desde o começo, captura tanto que seria estranho se não ficássemos tentados à um movimento de produção de sentido.
Não é à toa, um filme sobre montagem. O processo da produção não sintetiza nada, mas mobiliza mundos inteiros.
Filme muito bonito.
Não é à toa, um filme sobre montagem. O processo da produção não sintetiza nada, mas mobiliza mundos inteiros.
Filme muito bonito.
Zé
10.0★ · 04/29/26
