Train Dreams
Beautiful things don’t ask for attention
Apesar dessa frase não ser de Train Dreams, e sim de The Secret Life of Walter Mitty, ela descreve o filme muito bem. Um lançamento com pouca promoção da Netlix do qual poucos estão falando, mas que te impressiona com uma beleza tão quieta e tão sublime… Muito, muito contemplativo. A contida interpretação do Joel Edgerton carrega o filme todo, especialmente a imensidão que seus olhos abrigam, olhos esses que tanto testemunham ao longo de sua história. Pessoas e árvores que pouco ou muito viveram; mudanças no progresso e no espírito do tempo; caminhos construídos por seus amigos e troncos; e histórias e meditações dessas pessoas sobre as árvores, os caminhos, o tempo, e o mundo do qual todos são parte inseparável. Onde que a terra termina e nós começamos?
William H. Macy traz ao filme uma sabedoria incomparável a que nenhum coração é imune, e há um ponto em que o protagonista tem uma conversa com a personagem da Kerry Condon que é tão bela e tão profunda, que não foi precisa trilha sonora alguma para que eu pausasse o filme, refletisse sobre o que eu havia ouvido, e deixasse algumas lágrimas rolarem antes de seguir caminho. O filme não precisa do final para ser belo, mas, senhoras e senhores, que final. Eu ando falando muito sobre rever lançamentos desse ano como uma maneira de recalibrar minha experiência e reavaliar minhas impressões. Train Dreams é mais um que eu quero rever, apenas para revisitar esses 102 minutos de paisagens estonteantes acompanhadas de uma trilha sonora que potencializa a contemplacão, e emolduradas por um trabalho de fotografia que entende e realça o significado da vastidão dessa vida.