Train Dreams
Algumas partes parecem mais fracas sob o escrutínio de estar vendo uma terceira vez, mas eu não ligo. Esse filme é pra sentir, e sentindo eu continuo. É fascinante o valor que Train Dreams põe na vida, humana ou não, e na simbiose de tudo. O Arn Peeples, inicialmente introduzido como malandro, na verdade encontrou essa sabedoria simples, mas esquecida, de que o ser humano já foi parte integral da natureza, e que derrubar a floresta por caprichos fere, pouco a pouco, não só a alma, mas o mundo. Em seus últimas dias, a memória e a identidade de Arn Peeples são levadas dele, restando apenas aquilo que seria nosso instinto mais primitivo: um sonhador que se fascina com o mundo à sua volta e se reconhece como parte desse cosmo. As coisas que parecem pequenas são parte de uma tapeçaria mais complexa e mais bela do que a humanidade imagina ou se importa, e dentro disso se encaixa nosso querido Robert Grainier. Sua presença pouco deixou marca no mundo que sequer lembrará seu nome, e as pessoas que ele impressionou, quer antes ou depois dele, em algum momento se foram, levando consigo as memórias da pequena vida que ele levou. Ele não experienciou a vida moderna, não viajou o mundo, sequer sentiu as ondas aos seus pés. Livros de história tampouco lembram dele ou dos muitos outros Roberts que já viveram, que vivem, e que ainda viverão. Que ninguém assistindo se engane, todas nossas vidas são irrelevantes como a dele, mas não por isso desimportantes ou desperdiçadas. Robert Grainier amou seus amigos, amou sua esposa, sua filha, seu lar. Robert Grainier viveu, e Robert Grainier se sentiu em casa nesse vasto mundo, não importa o quanto da imensidão e do mistério ele conhecesse ou entendesse. E isso é suficiente.
Hold onto something
#cinema com mary ann