ao contrário da maior parte das críticas que li por aqui, a adoção dos planos sequência não me incomodou tanto, apesar de ter achado meio vergonhosa a contagem regressiva pra explicitar o corte entre eles. meu incômodo maior é a adoção de escolhas que privilegiam a estética em detrimento da narrativa. é tudo performático demais e a história é contada quase em códigos como se tentasse passar uma mensagem secreta para alguém. o grande problema, pra mim, é: se a intenção do filme é resgatar um importante e violento momento da ditadura civil-militar brasileira que destaca a atuação e coragem do movimento estudantil e a repressão sobre as universidades (momento pouco conhecido e lembrado até por quem pesquisa essas questões, como é o meu caso) por que construir os personagens apenas como caricaturas de uma esquerda performática expressas em imagens bonitas na tela com técnicas bem executadas sem nunca desenvolver a narrativa pra que a pessoa assistindo consiga entender, ter uma visão sobre ou ao menos sentir algo? o que é o CCC? quem são os alunos daquelas faculdades na rua maria antônia? o que desejam? quais são seus sonhos e perspectivas? do que se trata a votação que tanto falam? que diabos é aquela urna e por que ela é tão importante? como falaram aqui, quem não conhece o contexto, vai continuar sem conhecer.
de forma paradoxal ao que me parece ser a intenção do filme, Vera Egito espera que o telespectador já tenha as informações e detalhes do que ocorreu na Faculdade de Filosofia da USP em 1968 para que sua única intenção ao assistir o filme seja admirar as técnicas de filmagem e aplaudir o texto pobre, as atuações sofríveis e as meia dúzia de cenas de romance mal desenvolvidas (como quase todo o resto), limitando a obra a um minúsculo publico-alvo sem realmente contribuir para a solidificação das memórias sobre o evento.
a câmera na mão e os planos funcionam bem para criar um senso de urgência nos momentos mais tensos, ainda que o filme contenha bem menos tensão do que se esperaria que tivesse. apesar disso, gosto bastante do último plano e acho que as performances mais teatrais, que me parecem ser um aceno pro cinema da época, funcionam em alguns momentos.
ao contrário da maior parte das críticas que li por aqui, a adoção dos planos sequência não me incomodou tanto, apesar de ter achado meio vergonhosa a contagem regressiva pra explicitar o corte entre eles. meu incômodo maior é a adoção de escolhas que privilegiam a estética em detrimento da narrativa. é tudo performático demais e a história é contada quase em códigos como se tentasse passar uma mensagem secreta para alguém. o grande problema, pra mim, é: se a intenção do filme é resgatar um importante e violento momento da ditadura civil-militar brasileira que destaca a atuação e coragem do movimento estudantil e a repressão sobre as universidades (momento pouco conhecido e lembrado até por quem pesquisa essas questões, como é o meu caso) por que construir os personagens apenas como caricaturas de uma esquerda performática expressas em imagens bonitas na tela com técnicas bem executadas sem nunca desenvolver a narrativa pra que a pessoa assistindo consiga entender, ter uma visão sobre ou ao menos sentir algo? o que é o CCC? quem são os alunos daquelas faculdades na rua maria antônia? o que desejam? quais são seus sonhos e perspectivas? do que se trata a votação que tanto falam? que diabos é aquela urna e por que ela é tão importante? como falaram aqui, quem não conhece o contexto, vai continuar sem conhecer.
de forma paradoxal ao que me parece ser a intenção do filme, Vera Egito espera que o telespectador já tenha as informações e detalhes do que ocorreu na Faculdade de Filosofia da USP em 1968 para que sua única intenção ao assistir o filme seja admirar as técnicas de filmagem e aplaudir o texto pobre, as atuações sofríveis e as meia dúzia de cenas de romance mal desenvolvidas (como quase todo o resto), limitando a obra a um minúsculo publico-alvo sem realmente contribuir para a solidificação das memórias sobre o evento.
a câmera na mão e os planos funcionam bem para criar um senso de urgência nos momentos mais tensos, ainda que o filme contenha bem menos tensão do que se esperaria que tivesse. apesar disso, gosto bastante do último plano e acho que as performances mais teatrais, que me parecem ser um aceno pro cinema da época, funcionam em alguns momentos.