Uma das minhas perguntas filosóficas preferidas é: "Como diabos esse cara fez isso?".
Essa fascinação, esse estupor do ser humano diante da obra de um semelhante (um semelhante que compartilha com ele a mesmíssima natureza!) sempre me faz sorrir. Esse espanto (que é tão involuntário quanto batimentos cardíacos, espanto-espasmo, espanto-susto) sinaliza uma esperança, uma alegria, a chance de que a "humanidade" de fato não seja uma abstração, mas uma comunidade real de pessoas reais, que se reconhecem e que se espantam juntas.
As tentativas de responder a essa pergunta também sempre me fazem sorrir, mas porque são sempre engraçadas. Esse documentário, por exemplo, é hilário. Tentar explicar qual a "tecnologia" que Veermer utilizou para pintar alguns dos mais lindos quadros que conhecemos não revela absolutamente nada que importe.
Mata um pouco a nossa curiosidade. Alivia a coceira que sentimos por explicações racionais diante do inexplicável. Mas, no final das contas, é só um exercício elogiático do talento e do gênio, nada mais. E a graça é que todos os envolvidos no documentário, assim como a audiência, sabem disso. O problema é que não conseguem deixar de perguntar (!), não conseguem não querer saber (!) como diabos alguém fez aquilo (?!).
Acontece que saber "como" Vermeer pintava, e reproduzir sua técnica a partir de supostas "tecnologias" que ele teria utilizado, é interessante, de fato. Mas não espanta ninguém. Porque uma réplica de um Veemer não é um Veermer.
Os gregos chamavam arte de tecné, porque a técnica é a dimensão visível da arte. A técnica é o médium intelectual humano para um impulso poético invisível que ninguém sabe de onde vem, nem para onde vai, nem porque se manifesta em alguns e não em outros. É por causa dessa arbitrariedade meio mística que, mesmo pertencendo ao mesmo gênero e espécie do reino animal, os seres humanos não são capazes de fazer as mesmas coisas.
Então saber "como" alguém fez alguma coisa não importa muito. Explica a tecné, explica o que já estamos vendo. Mas o que interessa não é o que estamos vendo. O que interessa é o impulso.
E nada explica o impulso.
Uma das minhas perguntas filosóficas preferidas é: "Como diabos esse cara fez isso?".
Essa fascinação, esse estupor do ser humano diante da obra de um semelhante (um semelhante que compartilha com ele a mesmíssima natureza!) sempre me faz sorrir. Esse espanto (que é tão involuntário quanto batimentos cardíacos, espanto-espasmo, espanto-susto) sinaliza uma esperança, uma alegria, a chance de que a "humanidade" de fato não seja uma abstração, mas uma comunidade real de pessoas reais, que se reconhecem e que se espantam juntas.
As tentativas de responder a essa pergunta também sempre me fazem sorrir, mas porque são sempre engraçadas. Esse documentário, por exemplo, é hilário. Tentar explicar qual a "tecnologia" que Veermer utilizou para pintar alguns dos mais lindos quadros que conhecemos não revela absolutamente nada que importe.
Mata um pouco a nossa curiosidade. Alivia a coceira que sentimos por explicações racionais diante do inexplicável. Mas, no final das contas, é só um exercício elogiático do talento e do gênio, nada mais. E a graça é que todos os envolvidos no documentário, assim como a audiência, sabem disso. O problema é que não conseguem deixar de perguntar (!), não conseguem não querer saber (!) como diabos alguém fez aquilo (?!).
Acontece que saber "como" Vermeer pintava, e reproduzir sua técnica a partir de supostas "tecnologias" que ele teria utilizado, é interessante, de fato. Mas não espanta ninguém. Porque uma réplica de um Veemer não é um Veermer.
Os gregos chamavam arte de tecné, porque a técnica é a dimensão visível da arte. A técnica é o médium intelectual humano para um impulso poético invisível que ninguém sabe de onde vem, nem para onde vai, nem porque se manifesta em alguns e não em outros. É por causa dessa arbitrariedade meio mística que, mesmo pertencendo ao mesmo gênero e espécie do reino animal, os seres humanos não são capazes de fazer as mesmas coisas.
Então saber "como" alguém fez alguma coisa não importa muito. Explica a tecné, explica o que já estamos vendo. Mas o que interessa não é o que estamos vendo. O que interessa é o impulso.
E nada explica o impulso.